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Terra Blog

Categoria: Violência doméstica

25.07.07

Violência doméstica ainda é drama em MS

 

Depois de enfrentar por cinco anos agressões físicas dentro de casa, há um ano, longe do marido, R.A., com três filhos, começou a trilhar novo caminho na vida. Amparada pela Lei Maria da Penha, que foi sancionada em agosto do ano passado, e, ainda, com assistência do Centro de Atendimento à Mulher – entidade governamental – que oferece apoio jurídico, psicológico e abrigo, ela deixou de fazer parte do quadro de mulheres vítimas da violência. Somente de janeiro a maio deste ano, 1.911 viveram drama parecido com o deste caso. "Hoje nem me lembro como era o meu casamento, tenho novas expectativas. Eu me sinto livre, sem medo de acabar morta", disse.

Escapar da violência também foi opção de V.W, aos 45 anos, que derrubou os obstáculos da vergonha e da exposição à sociedade e denunciou o marido por agressão física. "Fui espancada e denunciei, acho que devemos lutar sempre e nunca desistir", comentou uma profissional, que não depende do sustento do marido. Com possibilidade de detenção imediata de quem agride, na maioria dos casos, segundo a coordenadora do centro, Luiza Helena Bernardes Al-Contar, as mulheres sentem-se pressionadas pela família a não tornar o caso público. E, para ampará-las, hoje, existe a Casa Abrigo, local isolado e bancado pelo Poder Público. "A Casa Abrigo é para quem não tem para onde recorrer e pode enfrentar um risco de morte", explicou.

Segundo Luiza Helena, a Casa Abrigo foi criada em 2002 e, até o momento, atendeu 139 mulheres. Em média, por trimestre, o local tem capacidade para 10 pessoas. "Ela entra sem celular, acompanhada de filhos com menos de 14 anos e a vida dela fica na minha mão por três meses em confinamento", explicou. De acordo com a coordenadora do centro, após a permanência na Casa Abrigo, a assistência social tenta garantir a ressocialização da vítima da violência. "Procuramos dar serviço de psicologia, assistência social, jurídica e encaminhar para um emprego", disse.

Para R.A., assistida por esse sistema, foi a única oportunidade para se livrar das agressões físicas do marido. "Eu dependia dele e não tinha para onde ir, sem a Casa Abrigo talvez estaria morta", comentou. Nas estatísticas do ano passado, de 4.285 ocorrências registradas na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) por crimes cometidos contra a mulher, cinco delas não fugiram da violência e acabaram nos registros de homicídios e 30 enfrentaram a tentavia do crime.


Fonte: Correio do Estado