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Tratados como produtos, esses jovens são vítimas da rede de tráfico de seres humanos, mais conhecido como TSH. Rodrigo Paiva, assessor da CBF, afirma que este é um problema mundial e que há uma preocupação das instituições que respondem pelo futebol no mundo. De acordo com ele, não se pode proibir que alguém tenha um representante para as negociações, mas o ideal é que seja um agente credenciado pela Federação Internacional das Associações de Futebol (FIFA): “Muitos vão sem garantias. Estamos preocupados, porque eles (agentes) usam uma série de artifícios. Contratam os pais para trabalhar fora e driblam qualquer tipo de prevenção”, diz.
Há um ano, uma instituição francesa de Direitos Humanos, Culture Foot-solidaire, denunciou ao Parlamento Europeu, através de um dossiê, a presença de 600 jovens da África e Brasil em situação irregular na Europa. “Essas crianças foram levadas junto com as suas famílias em um procedimento que visa empregar os pais para que esses adolescentes fiquem em observação, para ver se podem ser comercializadas, ou não, como jogadores de futebol”, afirma Carlos Nicodemos. O especialista reapresentou a mesma denúncia em um congresso internacional na Espanha, que aconteceu em janeiro deste ano. A União das Associações Européias de Futebol (UEFA), afirma a urgência nas tomadas de providências, mas nada foi apresentado até o momento.
Outro problema relacionado ao tema, é a de que os pais muitas vezes são encaminhados para trabalhar em regiões distantes do local de treinamento dos filhos e explorados como mão de obra desqualificada: “Em nosso relatório, noticiamos casos em que os pais são agenciados em subempregos, em postos de trabalho desqualificados e horários indefinidos, para os filhos permanecerem no país”, completa Nicodemos, que termina em julho um estudo sobre o tema. “O tema é muito pouco desenvolvido quanto a isso, estamos montando uma agenda como medidas de enfretamento ao tráfico de adolescentes”, informa.
Fonte: Viva Favela

criado por Tania Rocha
16:32:57
Duas ações do Ministério Público do Trabalho - uma Ação Civil Pública e uma Ação Civil Coletiva - acusam o empresário Milton da Silva, pai do tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna, e mais dois sócios de manter 82 trabalhadores em condição semelhante à escravidão na fazenda Campo Aberto, localizada em Barreiras (BA). Os processos tramitam na Justiça do Trabalho da Bahia e, segundo o MPT, estão próximos de ser encerrados. As ações cobram dos proprietários da fazenda R$ 600 mil por dano moral coletivo e R$ 110 mil em indenizações trabalhistas por cada trabalhador libertado pela fiscalização. Em março de 2007, o grupo móvel especial de combate ao trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego constatou 29 infrações, durante dez dias de inspeção na propriedade rural.
Desde 2005, as ações de combate ao trabalho escravo do governo federal libertaram cerca de 27 mil trabalhadores no País. Servidão por dívidas e restrição à liberdade dos trabalhadores são os principais problemas encontrados nas propriedades, que também apresentam, por vezes, aliciamento irregular para trabalho temporário, alojamentos e refeitórios sem as mínimas condições de higiene, além de ausência de equipamentos de proteção individual.
Redação Terra

criado por Tania Rocha
22:47:33
A polícia chinesa prendeu 31 pessoas por envolvimento em escândalo de trabalho escravo no centro da China nesta quinta-feira, informou a imprensa estatal. O número de acusados pelo crime aumentou para 60.
As autoridades condenaram um policial, um empregado da segurança social e dois funcionários do governo da província de Shanxi a três anos de prisão por negligência e abuso de poder, segundo a agência de notícias estatal Nova China. O Tribunal Superior de Shanxi também deliberou penas de prisão entre 18 meses e cinco anos para outras 27 pessoas, incluindo os gestores e capatazes das fábricas de tijolos, onde centenas de homens e crianças viviam em regime de escravatura.
O tribunal acusou os responsáveis industriais de utilizar trabalho infantil e maltratar os trabalhadores. Em julho, outras 29 pessoas foram condenadas por crimes similares, incluindo um homem, apontado como um dos principais responsáveis pelo crime, que teve a pena de morte decretada. Cerca de 95 membros do Partido Comunista da China também receberam punições, ainda que a maior parte dos casos foram apenas avisos.
A descoberta de casos de trabalhos forçados abalou o país asiático, resultando na libertação de centenas de trabalhadores que viviam em regime de escravatura em fornos e minas ilegais nas províncias de Shanxi e Henan. De acordo com os últimos números divulgados, 570 pessoas foram libertadas. A denúncia de trabalho escravo partiu de uma carta publicada em 5 de junho na Internet. O documento foi escrito por centenas de pais reclamando da situação vivenciada por cerca de mil jovens. Segundo números oficiais, apenas 41 dos resgatados eram crianças.
Os pais de 400 crianças ainda desaparecidas renovaram o apelo na rede mundial de computadores, temendo que, devido à repercussão nacional e internacional dos primeiros casos, os donos das fábricas ilegais tenham encerrado as atividades e escondido as crianças e os demais escravos.
Fonte: Lusa

criado por Tania Rocha
09:19:05
A Igreja católica no México, através da dimensão Pastoral da Mobilidade Humana, está realizando, desde maio passado, uma campanha contra o tráfico de pessoas (escravidão do Séc. XXI) que tem muitos rostos; entre eles, a exploração sexual, trabalhista, o tráfico de órgãos e a servidão sem respeito algum pelos direitos humanos. A referida pastoral tomou a iniciativa, considerando sobretudo o tráfico de ilegais na fronteira com os Estados Unidos, que, ano após ano, faz entrar de maneira ilícita, meio milhão de mexicanos e provoca uma média de 500 mortes na tentativa de chegar ao "sonho americano".
O ponto de partida dessa campanha foi a carta pastoral das conferências episcopais dos dois países, "Juntos no Caminho da Esperança: já não somos Estrangeiros". Nela, os bispos mexicanos e estadunidenses faziam um apelo aos governos para que detivessem o tráfico de seres humanos por meio do qual se transporta homens, mulheres e crianças de todo o mundo, principalmente do México com o fim de forçá-los a trabalhar ou a prostituir-se. A Pastoral da Mobilidade Humana da Conferência Episcopal Mexicana considera que o tráfico de pessoas é o terceiro "negócio" mais rentável para o crime organizado nas duas nações, depois do narcotráfico e do tráfico de armas.
A campanha que está tocando não somente as dioceses fronteiriças, mas sobretudo as que são grandes produtoras de migrantes, tem dois cartazes publicitários: em um se pede às pessoas que estejam atentas, pois o tráfico existe e é um flagelo contra o qual é preciso lutar de maneira conjunta e coordenada. O outro mostra que as pessoas têm valor e não preço. Com os meses do verão no hemisfério norte, aumenta o número de pessoas que morrem ao tentar cruzar a fronteira, sobretudo pela crescente do Rio Bravo, que divide os dois países, ou por efeitos do calor, sobretudo nas grandes regiões desérticas da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas.
Fonte: Radio Vaticano

criado por Tania Rocha
13:40:25
O prefixo grego bio significa vida; necro, morte. O combustível extraído de plantas traz vida? No meu tempo de escola primária, a história do Brasil se dividia em ciclos: pau-brasil, ouro, cana, café etc. A classificação não é de todo insensata. Agora estamos em pleno ciclo dos agrocombustíveis, incorretamente chamados de biocombustíveis.
Nos EUA, já há lobbies de produtores de bovinos, suínos, caprinos e aves pressionando o Congresso para que se reduza o subsídio aos produtores de etanol. Preferem que se importe etanol do Brasil, à base de cana, de modo a se evitar ainda mais a alta do preço da ração. A desnutrição ameaça, hoje, 52,4 milhões de latino-americanos e caribenhos, 10% da população do Continente. Com a expansão das áreas de cultivo voltadas à produção de etanol, corre-se o risco dele se transformar, de fato, em necrocombustível - predador de vidas humanas.
No Brasil, o governo já puniu, este ano, fazendas cujos canaviais dependiam de trabalho escravo. E tudo indica que a expansão dessa lavoura no Sudeste empurrará a produção de soja Amazônia adentro, provocando o desmatamento de uma região que já perdeu, em área florestal, o equivalente ao território de 14 estados de Alagoas. A produção de cana no Brasil é historicamente conhecida pela superexploração do trabalho, destruição do meio ambiente e apropriação indevida de recursos públicos. As usinas se caracterizam pela concentração de terras para o monocultivo voltado à exportação. Utilizam em geral mão-de-obra migrante, os bóias-frias, sem direitos trabalhistas regulamentados. Os trabalhadores são (mal) remunerados pela quantidade de cana cortada, e não pelo número de horas trabalhadas. E ainda assim não têm controle sobre a pesagem do que produzem.
Alguns chegam a cortar, obrigados, 15 toneladas por dia. Tamanho esforço causa sérios problemas de saúde, como câimbras e tendinites, afetando a coluna e os pés. A maioria das contratações se dá por intermediários (trabalho terceirizado) ou "gatos", arregimentadores de trabalho escravo ou semi-escravo. Após 1850, um escravo costumava trabalhar no corte de cana por 15 a 20 anos. Hoje, o trabalho excessivo reduziu este tempo médio para 12 anos. O entusiasmo de Bush e Lula pelo etanol faz com que usineiros alagoanos e paulistas disputem, palmo a palmo, cada pedaço de terra do Triângulo Mineiro. Segundo o repórter Amaury Ribeiro Jr, em menos de quatro anos, 300 mil hectares de cana foram plantados em antigas áreas de pastagens e de agricultura. A instalação de uma dezena de usinas novas, próximas a Uberaba, gerou a criação de 10 mil empregos e fez a produção de álcool em Minas saltar de 630 milhões de litros em 2003 para 1,7 bilhão este ano.
A migração de mão-de-obra desqualificada rumo aos canaviais, 20 mil bóias-frias por ano, produz, além do aumento de favelas, o de assassinatos, tráfico de drogas, comércio de crianças e de adolescentes destinados à prostituição. O governo brasileiro precisa livrar-se da sua síndrome de Colosso (a famosa tela de Goya). Antes de transformar o país num imenso canavial e sonhar com a energia atômica, deveria priorizar fontes de energia alternativa abundantes no Brasil, como hidráulica, solar e eólica. E cuidar de alimentar os sofridos famintos, antes de enriquecer os "heróicos" usineiros.
Frei Betto - dominicano e escritor

criado por Tania Rocha
13:31:39