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Terra Blog

Categoria: Violência: indigenas

12.04.08

Assassinatos de índios crescem 61% em 2007

O número de indígenas assassinados no Brasil aumentou 61,4% de 2006 para 2007, segundo relatório divulgado ontem pelo Conselho Indigenista Missionário durante a 46ª Assembléia Geral da CNBB, em Indaiatuba, interior de São Paulo. O número de assassinatos em 2007 é recorde no país nos últimos 15 anos. Em 2007 foram registrados, em todo o país, 92 assassinatos contra 57 em 2006. O Estado com maior concentração desse crime é Mato Grosso do Sul, com 27 assassinatos em 2006 e 53 em 2007 - um aumento de 99%.

O relatório, de 184 páginas, mostra ainda um aumento de 395% no número de indígenas que tiveram desnutrição no país. Foram 99 casos ocorridos em 2006 contra 491 em 2007. O Cimi é um órgão vinculado à CNBB. O relatório é feito com base no levantamento realizado por missionários em áreas indígenas e também com base em notícias publicadas em jornais de todo o país. Cerca de 734 mil índios vivem no Brasil. O documento diagnosticou que suicídios indígenas deixaram de ocorrer apenas em Mato Grosso do Sul e "passaram a ocorrer em outras regiões do Brasil, principalmente na região amazônica".

Nos últimos dois anos, foram registrados 61 casos de suicídios entre índios, sendo 33 em 2006 e 28, no ano passado. O documento, que será entregue ao governo federal, destacou ainda o impacto que o aumento de usinas de cana-de-açúcar causou aos indígenas, principalmente em Mato Grosso do Sul. Segundo o levantamento, 1.161 indígenas foram resgatados por fiscais da Delegacia Regional do Trabalho em 2007. Eles trabalhavam em situação degradante.

 

Fonte: Folha Online


19.03.08

Brasil ignora pedido de esclarecimento da ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) acusa o Brasil de ter ignorado nos últimos 12 meses todos os pedidos de esclarecimento feitos pela entidade sobre direitos dos indígenas. Segundo Miloon Khotari, relator para o direito à moradia, desde março de 2007 a ONU envia pedidos de explicação de violações de direitos humanos e nenhuma delas foi respondida. O governo contesta a acusação, alegando que enviou as informações. "A atitude do governo está sendo muito negativa. Ignorar nossos pedidos de explicação não resolve nada", afirmou Khotari.

Um dos questionamentos se referia à situação dos índios caiuás em Mato Grosso do Sul. Em novembro, a ONU pediu explicações ao Brasil sobre informações de que estavam sendo expulsos de suas terras por fazendeiros locais. Essas terras teriam sido reconhecidas oficialmente pela Funai em 2005, mas fazendeiros chegaram a contratar seguranças privados para tentar expulsar os índios. Em outubro de 2007, esses seguranças teriam tentado estuprar líderes da comunidade. Silvina Romero teria sido violentada diante do próprio filho, enquanto seu marido era atacado.

De acordo com a queixa da ONU, a própria polícia local também teria atacado membros da comunidade, alegando que estariam preparando invasões de terras de fazendeiros.

Outro questionamento da ONU é em relação à crise na reserva Raposa Serra do Sol, com a ocupação de terras indígenas por fazendeiros. O governo brasileiro garantiu à comunidade local que a desocupação da área de 1,7 milhão de hectares está sendo providenciada e a maior parte da população não-indígena já foi retirada do território destinado aos índios. Homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril de 2005, a Raposa Serra do Sol foi festejada na época como a mais notável intervenção de seu governo a favor dos índios. O ato beneficiaria cerca de 18,7 mil índios, dos povos patamona, uapixana, taurepangue, macuxi e ingaricó.

O problema é que sete grandes empresas agropecuárias, dedicadas sobretudo à produção de arroz, insistem em permanecer no local e prometem resistir às pressões para sair. "Não entendemos por que o Brasil ignora nossos pedidos de explicação sobre isso", reclamou Khotari.

 

Fonte: estadão

 

03.12.07

Remanescentes de uma trágica colonização

 

Dos quatro milhões de índios que habitavam o Brasil na época do Descobrimento, restam cerca de 460 mil descendentes que atualmente encontram-se distribuídos entre 225 comunidades. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), o número representa 0,25% da população brasileira.

O órgão enfatiza que o dado populacional considera apenas os que vivem em aldeias. Estima-se que, além destes, há entre 100 e 190 mil que vivem fora de terras indígenas, inclusive em áreas urbanas. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados, além de existir grupos que ainda não conseguiram o reconhecimento da condição indígena.

 

Tássia Novaes, do A TARDE On Line

 

25.10.07

Indios brasileiros: racismo e pobreza

 

Representantes de populações nativas do Brasil, Nova Zelândia, Austrália e Canadá pedem maior integração de povos indígenas no mundo. Durante a 1ª Conferência Internacional e o 1º Encontro Nacional de Saúde Mental Indígena, eles apresentaram os maiores problemas do índios em diferentes países. O australiano Edward Wilkes é aborígene (população nativa da Austrália) e trabalha no programa de Pesquisas Aborígenes do Instituto Nacional de Pesquisa de Drogas do país. Segundo ele, a situação dos aborígenes e dos índios brasileiros é parecida. “Nosso povo foi retirado do lugar onde morava e ainda há indiferença e intolerância com o povo nativo, o que sabemos que é racismo. A saúde mental de nosso povo está muito relacionada ao fato de que existe racismo, muita pobreza e nosso povo está tentando sobreviver. Isso gera impactos psicológicos nas nossas famílias e nas comunidades”, disse ele.

Wilkes afirmou que os problemas de saúde mental da população nativa da Austrália acontecem por causa da falta de expectativas de emprego, educação e saúde. “Grande parte da juventude aborígene recorre ao álcool e às drogas para escapar das pressões ocidentais de viver num mundo capitalista. Isso está atingindo também os mais velhos. Consequentemente nos vemos em um ciclo de pobreza que tem impactos na nossa saúde mental”. O australiano disse que a conferência internacional é importante para que as populações indígenas passem a discutir os problemas sociais em nível mundial. “É importante que a questão indígena seja discutida na globalização. Esses povos, mesmo falando português ou inglês, precisam manter suas culturas e saúde”.

A índia canadense Gaetan Pétiquay, da tribo Attikemekw, disse que se identificou muito com a situação da juventude indígena do Brasil. “As reivindicações são muito parecidas com as do jovem do meu povo. A falta de diálogo, o preconceito na hora de procurar emprego e o racismo”. Samuel Carajás é índio da tribo dos Carajás, no Mato Grosso. Ele afirma que, antes de ouvir os representantes dos povos estrangeiros, pensava que os problemas de terras, saúde, educação e emprego atingiam apenas os índios brasileiros. Para ele, essas populações devem unir forças na luta pelos seus direitos. “Precisamos estar juntos nessa batalha”.

 

Fonte: A Tarde online

 

24.09.07

India é encontrada morta no MS

 

Abandonada pelo marido e desaparecida há quatro dias, a índia caiová, Juliana Balbino, 39 anos, foi encontrada morta na noite do último sábado, em uma fazenda em Amambaí, no Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai, extremo sul do Estado. É o 20º. assassinato deste ano de indígenas que vivem na região, onde o índice de suicídio também é alto. De janeiro até julho foram registrados 19 casos. No mesmo período aconteceram 15 mortes de crianças indígenas, subnutridas.

Soma-se a esse quadro as brigas com lesões graves, principalmente provocadas por armas brancas, sendo no mínimo um caso por dia, somente em Amambaí onde vivem 12 mil índios em duas aldeias. A situação é mais grave em Dourados, com 12 mil indígenas vivendo em 10 mil hectares. O coordenador estadual do Conselho Indiginista Missionário, Egon Hech, afirma que a violência vai continuar aumentando nas 74 aldeias do MS, devido à concentração de índios, por metro quadrado.

Em Dourados, por exemplo, a média é de 331 índios por quilômetro quadrado, enquanto para população não indígena, a média é de 40 habitantes para a mesma área, na cidade.

 

Fonte: O Estadão