Cinderela se rebela

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Terra Blog

Categoria: Submissão feminina

24.12.07

Cariri ganha Juizado contra violência

 

População do Cariri conta com apoio do Juizado de Violência Doméstica e Familiar, no Fórum em Juazeiro. A mulher caririense conta, a partir de agora, com mais um equipamento na prevenção e combate à violência, com a instalação do Juizado de Violência Doméstica e Familiar, no Fórum Desembargador Juvêncio Santana, neste município. A solenidade de inauguração aconteceu na manhã de ontem, com a presença de autoridades do Estado e nacionais, a exemplo do governador Cid Gomes, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, César Ásfor; presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Fernando Luiz Ximenes Rocha.

Integrantes do movimento de mulheres estiveram representadas, por meio do Conselho dos Direitos da Mulher do município. Além dos juízes titulares, assistentes sociais e psicólogos, os juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ceará são estruturados com diretor de Secretaria, analistas judiciários, oficiais de justiça, analistas judiciários adjuntos e técnicos judiciários. A implantação das duas unidades é um cumprimento à Lei Maria da Penha, aprovada em agosto de 2006, com o objetivo de coibir a violência contra a mulher.

 

Fonte: Diario do Nordeste

 

23.08.07

Um crime silencioso

Karina Lapa é terapeuta de um centro de tratamento em Broward, Florida.

 

Infelizmente, os crimes de abuso são mais comuns do que imaginamos e muitas vezes passam despercebidos, apesar da sua violência e gravidade. Isso porque as vítimas se recusam a denunciar a ocorrência, já que há casos em que os agressores estão dentro da própria casa. De acordo com as estatísticas do FBI, quase dois terços destes crimes não são reportados às autoridades, numa grave perpetuação de um modelo que atinge principalmente as mulheres, que representam 90% deste universo. Aqui nos Estados Unidos, os imigrantes são alvos preferenciais destes crimes, pois estão mais vulneráveis aos ataques. A boa notícia é que os condados de Broward e Palm Beach possuem serviços de atendimentos às vítimas de abuso e violência doméstica em português e prestam todo tipo de atendimento, desde proteção contra o agressor, conselhos, tratamento e até orientação jurídica.

Karina Lapa é terapeuta de um centro de tratamento em Broward “Os crimes de abuso sexual e violência doméstica ainda são um tabu para a sociedade, em especial nas famílias de origem latina e sistema patriarcal. Mas isso precisa acabar e somente com conhecimento do problema e denúncias o quadro pode ser alterado. A mídia, aliás, tem prestado uma ajuda importante”, explica Karina Lapa, terapeuta do Sexual Assault Treatment Center do condado de Broward e diretora do South Florida Counseling Agency.

Agressão X processo imigratório

Advogada no Brasil, com atuação na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Ana Martins é hoje o que chamam de victim advocate do condado de Palm Beach, especializada em prestar ajuda jurídica às vítimas destes crimes, em especial as de língua portuguesa. “As imigrantes muitas vezes têm receio de denunciar, mas a lei garante toda a proteção. E pouca gente sabe que, em alguns casos, a vítima tem direito a se candidatar ao Green Card”, conta a carioca, que atua na Corte de Palm Beach.

Segundo a pastora Eliane Menezes, da Igreja Presbiteriana de Pompano Beach, a mensagem é simples: “Precisamos mostrar às vítimas destes crimes que elas não estão sozinhas e que existem meios de ajuda”. Ela lembra que os agressores podem ser de qualquer nível social ou cultural, mas concorda que as mulheres imigrantes são mais visadas, pela seu status imigratório e desconhecimento das leis. Mas a pastora também acredita que este padrão pode ser quebrado. “Quando se tem informação, não há porque permanecer numa relação abusiva”, concluiu Eliana, que trabalhou muitos anos no Centro de Mulheres e Família de Louisville (Kentucky) e escreveu trabalhos sobre o tema.


Algumas formas de violência doméstica e abuso sexual:

- o silêncio como forma de punição
- rasgar roupas ou quebrar objetos de valor do outro
- o uso elevado da voz ou de atos para intimidação
- críticas constantes acerca da capacidade ou desempenho sexual
- ciúme em excesso, chegando ao ponto de investigar a vida do outro
- determinar a roupa que o outro deve vestir ou o que fazer
- agressões físicas
- tratar o outro como um serviçal
- humilhação pública
- ameaças veladas
- imposição do ato sexual


Fonte: Acheiusa

 

27.07.07

Chile: mulheres não denunciam agressor sexual

 

Entre 2001 e junho de 2007, 300 mulheres foram assassinadas no Chile. A metade dessas mulheres foi vítima da violência de seus maridos, companheiros, ou ex-parceiros, dentro dos chamados "crimes de feminicídio" crimes contra as mulheres. Na tentativa de chamar a atenção da sociedade para esse tipo específico de agressão, que aumenta a cada ano, a Rede Chilena contra a Violência Doméstica e Sexual iniciou hoje, quinta-feira, a campanha de 2007, intitulada "Cuidado! O Machismo Mata", com uma instalação pública do Memorial às Mulheres vítimas de Feminicídio no Chile (2001-2007).

Para a Rede Chilena, o objetivo das instalações do Memorial é fazer um chamado para "desnaturalizar a violência contra as mulheres em todas a suas formas e para mobilizar amplos setores da população em busca de sua erradicação". De acordo com dados da Divisão de Segurança Pública, do Ministério do Interior chileno, a violência intra-familiar aumentou de 60.769, em 2001, para 95.829 em 2006. Em 2007, ela já alcançou, com números computados somente entre janeiro e março, 26.378 pessoas. Estima-se que, aproximadamente, 90% das denúncias de violência dentro da família correspondem a mulheres agredidas, números que o Estado não torna públicos, embora os conheça.

E esses números podem ser ainda maiores, pois uma mulher violentada física, psicológica ou sexualmente pelo parceiro, demora de cinco a sete anos para denunciar o agressor e em 80% dos casos de agressão sexual, o violentador nunca é denunciado. Segundo levantamento feito pela Rede Chilena contra a Violência, baseado em notícias de jornais e denúncias judiciais (pois não existem dados oficiais), os motivos mais freqüentes para a violência contra as mulheres são: ciúmes, o anúncio da mulher de que quer terminar a relação afetiva, e a negação da mulher a ter relação íntima com o agressor. No ano passado, 51 mulheres foram assinadas em contexto de violência dentro da família ou "feminicídios" e outras 14.688 foram vítimas de delitos sexuais.

Conforme a Rede, a visão da sociedade de que esses são crimes passionais e de que os agressores são psicopatas, impede de reconhecer padrões culturais patriarcais que vêem esse tipo de violência como natural e os legitima há séculos. Esses homens "não são doentes: são agressores, machistas e "feminicidas". Acreditam que as mulheres são de sua propriedade, que podem dominar seus corpos e suas vidas, e acabar com elas". A violência sexual se verifica nas famílias, com o abuso sexual das crianças e a violação sexual por parte dos maridos; no espaço público, com violações, abuso sexual, assédio e intimidação sexual no trabalho, nas instituições educacionais, tráfico de mulheres e prostituição forçada; e a perpetrada ou tolerada pelo Estado.

 

Fonte: Radio Vaticano


14.07.07

Cinderela na Europa

Para muitos jovens, o portão de embarque dos aeroportos internacionais do Brasil aparecem como única oportunidade de uma vida melhor. Tantas são as possibilidades de lugares a serem desbravados quantas são as maneiras de chegar até eles.

Os intercâmbios são considerados as melhores opções para quem pretende estudar ou trabalhar legalmente fora do País. Em 2003, 34 mil brasileiros viajaram para fazer cursos no Exterior. No ano seguinte, foram 42 mil estudantes. A estimativa é que esse número aumentou cerca de 30% em 2005 e tenha aumentado mais 30% em 2006. ´Estar num intercâmbio é uma forma de ter garantidos vários direitos´, afirma a diretora de operações da Belta, que congregada empresas de intercâmbio de todo o Brasil, Maura Leão. Ela conta que, apesar de raros, já houve registros de jovens que se aproveitam das facilidades que os intercambistas têm e permanecem como ilegais. ´Essa nunca é a melhor opção´, declara.

Segundo o chefe da Delegacia de Imigração da Polícia Federal, Thomas Wlassak, são emitidos diariamente, em Fortaleza, cerca de 120 passaportes, a maior parte para jovens. ´As intenções vão desde turismo até a permanência como ilegais no Exterior´, conta. Todos os dias, ressalta Wlassak, o Ceará recebe pelo menos dois brasileiros deportados ou repatriados. Ele explica que, ´pela posição privilegiada do Estado e também o número crescente de vôos diretos principalmente para Europa, a quantidade de pessoas que deixam o Brasil tem crescido´. E conseqüentemente, a de ilegais também.

Ao mesmo tempo em que o Brasil envia imigrantes, recebe tantos outros também. A fiscalização cabe a cada País. No Ceará, os chineses e africanos lideram a lista de ilegais. ´Os riscos ao se entrar num país pela porta dos fundos são grandes´, avisa Wlassak.

Manual de sobrevivência

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) pretende editar e distribuir a cartilha ´Brasileiros no Exterior, informações úteis´, em espécie de manual de sobrevivência para brasileiros que vivem fora do País. O objetivo é apontar os riscos a que esses emigrantes estão sujeitos e evitar deportações, que cresceram, de acordo com o material, quase 100% de 2005 para 2006, ultrapassando 13.500 casos no ano passado.

ENTREVISTA - ELOÍSA GABRIEL*
Jovens do sexo feminino são presas do tráfico internacional

Existe relação entre o desemprego jovem e o tráfico de seres humanos?
Nossa opinião é que existe. Nossos jovens sonham em ter uma vida digna e o mercado de trabalho no Brasil oferece pouco. Por isso, se expõem a riscos como contravenção, corrupção e violência, terminando por cair na rede do tráfico de pessoas.

A senhora sabe dizer quantas jovens são vítimas?
Não temos números exatos. A pesquisa sobre o assunto, a PESTRAF, realizada em 2002, precisa ser atualizada. Segundo a ONU, constitui a segunda maior fonte de renda da contravenção no mundo.

Em quais regiões do País ocorrem a maior emigração?
Dentro do País, pesquisa do IBGE mostra que a região Nordeste foi a que mais perdeu jovens para a Sudeste. Porém, de 1980 a 1996 a região vem perdendo esta representatividade, enquanto que a Nordeste galgou percentuais, podendo ser um proveniente retorno. Sobre a emigração para outros países, é comum ver nos jornais jovens do Sudeste indo para fora.

Qual é o perfil dos jovens?
São, na maioria, afrodescendentes, de áreas periféricas e têm menos de 30 anos. Muitas não têm o Ensino Médio, demonstrando a facilidade para se tornarem escravas.

Quais os países mais procurados e qual profissão que vão exercer?
Os países mais procurados para o tráfico com fins de exploração sexual comercial são: Espanha e Portugal. Elas são convencidas a serem diaristas, dançarinas ou prostituição livre.

Quanto elas ganham?
Não ganham, são escravas.

Então existe relação com a indústria do sexo?
Claro. Esta é a principal relação no caso do tráfico para a exploração sexual comercial, pois uma mulher pode ser vendida várias vezes, ou dar outras formas de rendimento, como a droga e a prostituição forçada.

O que a senhora acha dos programas sociais para os jovens?
É muito pouco o que vem sendo feito para a juventude no Brasil. O incentivo ao primeiro emprego ainda não basta. Não existe um programa voltada para as particularidades da mulher jovem.

*Coordenadora do Programa de Formação do Serviço à Mulher Marginalizada (SMM).

Fonte: Diario do Nordeste

 

04.07.07

Maioria das mulheres perdoa agressão

 

A decisão de Cristina Ribeiro, de 35 anos, de perdoar seu marido, André Luiz Ribeiro, de 36, e voltar para casa é o que acontece com pelo menos 70% das mulheres que são vítimas de violência doméstica.

A estimativa, confirmada pelo Centro Integrado de Atendimento à Mulher (CIAM), do governo do Estado, que presta apoio jurídico, psicológico e social à mulheres em situação de violência. Segundo uma das advogadas do centro, Georgia Bello, não há uma estatística precisa, mas é comum as vítimas perdoarem seus maridos, inclusive com a retirada da queixa, até mais de uma vez. Em torno de 70% das mulheres que sofreram agressões ou ameaças acabam voltando para casa. O perdão é, inclusive, uma das etapas do ciclo da violência. É o que chamamos de Lua-de-mel. Tem um nome bonito, mas pode ser perigoso — afirma a advogada.

A coordenadora das Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), a delegada Inamara Costa, confirma que apesar de os dados não estarem consolidados, o comportamento de Cristina é muito comum. Ela diz, no entanto, que o perdão e a volta para casa, não são recriminados por psicólogos e especialistas no tratamento de vítimas de violência doméstica.

Fonte. Extra.globo.com